5 Teorias Bizarras de Desenhos Infantis



Qualquer indivíduo mentalmente desequilibrado pode inventar uma teoria assustadora sobre o seu desenho animado favorito – é por isso que elas são chamadas de “teorias dos fã”. No entanto, de vez em quando nos deparamos com algumas que são muito atraentes pra serem ignoradas, mesmo que a leitura garanta um mês de insônia.

Então mergulhamos na enorme fossa das interpretações enlouquecidas, divertidas e obsessivas da Internet e apresentamos as teorias dos fãs mais estranhamente plausíveis. Que o nosso sacrifício permita que sua mente exploda – e tenha assunto pra próxima mesa de bar.

A propósito: contém spoiler!

1. Toy Story 3 é uma Alegoria para o Holocausto



Toy Story 3 é sem dúvida o filme mais sombrio da trilogia carro-chefe da Pixar, mas ainda é um conto comovente sobre amizade, crescimento e tempos difíceis . Ah, e também é sobre o extermínio em massa de milhões de pessoas em campos de concentração.



A Teoria:

De acordo com o crítico de cinema Jordan Hoffman, Toy Story 3 é totalmente sobre o Holocausto. No mesmo artigo, ele alega que o filme seja uma propaganda marxista, um filme existencialista e uma metáfora pra várias religiões do mundo – é possível que ele estivesse só brincando. A teoria do Holocausto é o que chamou a atenção da Internet devido ao número surpreendente de paralelos entre esta história alegre sobre brinquedos e uma das maiores tragédias da humanidade.

Porque é plausível:

Vamos olhar pro enredo: tudo começa quando o povo judeu – representado pelos brinquedos – é deixado pra trás por seus países no início da 2ª Guerra Mundial – representados por Andy saindo pra faculdade. Neste ponto, o líder dos brinquedos, Woody, sugere se esconder no sótão, estilo Anne Frank, mas eles acabam sendo mandados pra Creche Sunnyside. Você sabe, um lugar onde sua espécie está “concentrada” e é rotineiramente maltratada – por crianças em vez de nazistas.

Embora provavelmente esse garoto seja ambos:



Os brinquedos malvados que vivem em Sunnyside são a versão da polícia judaica do filme, que ajudou a empurrar os seus companheiros judeus em comboios pra Auschwitz. Por causa deles, os personagens principais acabam em uma correia transportadora – direto pro incinerador.

Há até uma cena triste, onde os brinquedos agarram as mãos e aceitam seu destino.



E depois, claro, eles são salvos por brinquedo aliens, que, obviamente, seriam os Aliados. Os protagonistas, eventualmente, mudam pra um novo lugar onde “muitos de sua espécie já vivem e têm uma posição estabelecida” – Israel/casa de uma menina. Então lá vai: a próxima vez que alguém lhe disser que ouviu uma teoria impressionante sobre a identidade da mãe de Andy, você pode dizer-lhes: “Oh, eu sei, ela é o Gestapo que enviou os brinquedos.”.

2. Uma Cilada para Roger Rabbit é Sobre Segregação



Uma Cilada para Roger Rabbit, mais conhecido como “aquele filme com Mickey Mouse e Pernalonga” ou como “aquele filme com a gostosona da Jessica Rabbit”, é ambientado num mundo onde os seres humanos interagem com personagens de desenhos animados. O filme mostra o humano Eddie Valiant investigando um assassinato envolvendo Roger Rabbit, o que nos leva a descobrir que o Juiz Doom – um funcionário corrupto interpretado por Christopher Lloyd – quer matar todos os desenhos animados, submergindo-os em sua confecção “Dip”.



A Teoria:

O enredo que acabamos de descrever é uma metáfora pra gentrificação e segregação dos negros em Los Angeles.

Porque é plausível:

O filme se passa em 1947, no auge da era Jim Crow, onde leis definiam que brancos e negros sequer poderiam permanecer nos mesmos lugares. Toontown, a cidade onde os toons vivem perto de Hollywood, não acabou de ficar um pouco mais sinistra?



O vilão, o Juiz Doom, quer forçar os toons a fugirem pra que ele possa construir uma autoestrada pros seres humanos ricos – o que é chamado de gentrificação, uma questão que permanece controversa em LA até hoje. Além disso, a maioria dos desenhos animados são artistas, que, obviamente, foi uma das ocupações “aceitáveis” pros negros na época. Você não vê qualquer médico ou advogado nos desenhos animados – a menos que eles estejam fingindo ser seres humanos, como o próprio Juiz Doom. Isso faz de Doom um personagem Tio Tom: um membro de uma minoria que vende o próprio povo por benefício pessoal, como Samuel L. Jackson em Django.

Sem falar na Jessica Rabbit, a quem Eddie é claramente atraído, apesar de suas alegações de que odeia desenhos animados. Sua confusão é representante da confusão de muitos homens brancos que cobiçavam as mulheres negras, apesar de ver os negros como inferiores.



E, finalmente, no filme, a palavra “toon” é tratado como um insulto racial que os seres humanos usam pra ofender personagens de desenhos animados.

Quando relembramos a nossa infância, o mundo se torna um lugar mais sombrio.

3. Dexter tem Síndrome de Asperger



Dexter foi a inveja de todo garoto CDF que teve que se contentar com um conjunto de química júnior incompleto e com Lego. Ele teve um enorme laboratório secreto sob sua casa e recursos aparentemente ilimitados pra construir qualquer coisa que ele imaginava – por exemplo, o seu próprio Transformer, que ele usou pra aterrorizar seus agressores numa partida de queimado.



A Teoria:

A vida de Dexter não é tão legal quanto parece, já que Dexter sofre de síndrome de Asperger – mas, você sabe, provavelmente o mesmo acontece com a metade de My Little Poney.

Porque é plausível:

Olhe o garoto: ele tem dificuldades pra interagir com os outros socialmente, tem padrões repetitivos e tem interesses muito originais – se Dexter pudesse, ele não iria deixar seu laboratório. Estes são os sinais de Asperger, além do sotaque pseudo-austríaco desconcertante: um monte de pessoas com essa condição fala como estrangeiros pra suas próprias famílias, porque eles imitam as palavras da maneira como elas ouviram sendo pronunciadas pela primeira vez – em muitos casos, na TV.



Mas isso muda alguma coisa no show? Na verdade, isso muda tudo, porque nós vemos todos os outros personagens do ponto de vista do Dexter, e as pessoas com Asperger têm dificuldades em se relacionar. Ele vê sua irmã Dee Dee como uma grande idiota, mas e se ele simplesmente não entende as meninas? Sua mãe parece ter alterações de humor constantes, mas pode ser que Dexter não compreenda quando ele a irrita? Enquanto isso, seu pai é sempre um incompetente trapalhão, mas talvez Dexter seja simplesmente decepcionado por ele não ser um gênio de classe mundial.



Há também o rival de Dexter, Mandark, que é praticamente um supervilão, mas se torna um personagem muito mais simpático quando não estamos olhando pra ele do ponto de vista do protagonista. De qualquer forma, isso faz muito mais sentido do que a teoria de que “Dexter se tornou um assassino em série”

4. Hey Arnold! É Sobre Helga – e Super Deprimente



Hey Arnold! mostra Arnold, aluno da quarta série que vive com seus avós, e suas aventuras e experiências com seus amigos numa cidade grande. Se você já assistiu Nickelodeon por mais de cinco segundos, já viu essa porcaria.



A Teoria:

Só que o verdadeiro protagonista é a antagonista, Helga G. Pataki, uma valentona que constantemente faz piadas da deformidade de Arnold, chamando-o “cabeça de bigorna”.

Porque é plausível:

Mas, espere um minuto, quem grita “Hey Arnold” – várias vezes – durante a introdução do programa? Helga. E quem é o único personagem que chega a ter um monólogo – sobre o quanto ama secretamente Arnold – em cada episódio? Helga. Tudo o que se desdobra em seguida é contado pro telespectador por ela.



Isso faz sentido, porque a vida de Helga é muito mais interessante do que a de Arnold – ela é uma valentona, sim, mas isso é causado por um pai negligente e uma mãe que precisa desesperadamente visitar uma reunião do AA. Sua irmã mais velha, Olga, é adorada, enquanto Helga é desprezada e tratada como a ovelha negra da família – seu pai simplesmente se refere a ela como “a menina” em vários episódios. E ainda por cima de tudo isso, ela tem sentimentos por um menino, mas não sabe como expressá-los.



E o program é sobre isso: a obsessão de Helga por um garoto estranho e como ela encontra significado em sua vida de forma sombria através dele. Daí o título e a quantidade desproporcional de tempo de tela pra Arnold, um personagem secundário. Não é de se admirar que os criadores queriam fazer um spinoff que era abertamente sobre Helga, mas foi esquecido por ser muito deprimente.

5. Meu Amigo Totoro é Baseado em um Crime Real


Meu Amigo Totoro é uma animação japonesa que mostra duas irmãs e suas interações com criaturas da floresta mágica conhecidas como Totoros. Juntos, eles embarcam em aventuras maravilhosas, e… É isso. Não há final metafísico confuso onde todo mundo morre. Não há nada muito sexualmente estranho. Nada de tentáculos. Finalmente, um filme japonês que podemos assistir com a família e ainda fazer contato visual mais tarde!

A Teoria:

Não tão rápido: Meu Amigo Totoro é uma referência a um crime horrível conhecido como o Incidente Sayama. E esses Totoros amigáveis? Sim, eles representam a morte.



Porque é plausível:

Nós gostaríamos de acreditar que esta teoria é completamente falsa. Nós realmente queremos. Mas, infelizmente, mesmo descontando todo o material falso espalhado na internet, ainda faz muito sentido. Vamos explicar: O Incidente Sayama ocorreu em maio de 1963 na cidade de Sayama, quando um homem sequestrou e assassinou uma menina de 16 anos. Mais tarde, a irmã mais velha da garota cometeu suicídio. O que diabos isso tem a ver com um filme sobre grandes felinos fofos? Em primeiro lugar, os nomes das irmãs no filme estão relacionados com o mês de maio – elas são chamadas Satsuki – “Maio” em japonês – e Mei – que soa como “May”.



Em segundo lugar, o filme não se passa em Sayama, mas é na mesma região. A palavra “Sayama” aparece numa caixa de chá:

E fica pior: Em um ponto no filme, Mei, a irmã mais nova, some. Ela, então, aparece chorando aos pés de algumas estátuas de Jizo, que são reais e protegem “aqueles que morrem em idade tenra”. Se segura, porque só fica mais deprimente.



No filme, Satsuki pede ajuda aos Totoros, então eles a levam pra onde Mei está – de acordo com esta teoria, na vida após a morte. Ah, e o que diz no sinal do ônibus? ROAD GRAVE – Estrada Sepultura.

Verifique por si mesmo.



No final, as meninas voltam pra casa… Ou não? Nas últimas cenas, elas parecem não ter sombras, o que significa que elas são fantasmas, ou vampiros, ou os animadores cagaram. Em outras palavras, como as irmãs reais no Incidente Sayama, a pequena some e morre e a mais velha se mata de tanta tristeza. E os Totoros retratam a morte.

Precisamos chorar debaixo de uma cama por um momento agora.